Nem parece outono. As águas de março vêm para cortar a correria do paulistano.
Nessa loucura de vai e vem, só o que resta é esperar. Em cada esquina que se pare é uma piscina a enfrentar. Piscina de carros, de gente, de humor.
Mata-se um leão todos os dias, quando não, mais que um.
E eu querendo ir para o habitat natura dos leões. No meio do mato é que eu me encontro. Quando chega o cansaço e eu lembro que preciso da natureza para me refazer, de repente paro e me sinto um tanto assustada.
Quando foi que eu me tornei tão limitada?
Vejo um texto meu com tantas contradições.
Entre sentimentos, pensamentos, emoções e esperança, no meio fala uma certa futilidade. Uma exigência de aparências e de preferências que eu sonho encontrar alguém, mas que se desmancham num minuto, só de pensar em um certo olhar...um sorriso.
Quando foi que o amor se tornou calculável e descritível em simples palavras de um perfil? Quando foi que a mágica do sentir deu lugar aos números? Eu queria saber em que momento dessa caminhada eu me perdi...
Porque pareço saber exatamente o que eu quero, mas quando me ponho no lugar de outra pessoa...será que eu iria gostar de mim?
E dirigindo entre essa selva de pedras eu percebo o quanto preciso desacelerar e reencontrar a minha essência.
Em um lago urbano refletem-se as luzes dos carros e de repente eu enxergo um foguete. Um sinal. Gostaria mesmo é de viajar para fora do planeta qualquer dia. Sem hora marcada, nem destino esperando.
Conhecer outras cores, outros cheiros, outras formas.
Às vezes consigo vê-los no reflexo dos alagamentos. Pelas rodovias e estradas do dia a dia
Às vezes eu até posso fingir não estar mais aqui...mas isso não resolveria um problema....nenhum deles...
Sigo acelerada, tentando desacelerar.
Sigo encantada, tentando desencantar
Sigo sozinha, tentando te encontrar.
Sigo chovendo, inundando o meu olhar.
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