Thursday, March 20, 2014

ÁGUAS DE MARÇO

     Nem parece outono. As  águas de março vêm para cortar a correria do paulistano.
Nessa loucura de vai e vem, só o que resta é esperar. Em cada esquina que se pare é uma piscina a enfrentar. Piscina de carros, de gente, de humor.
Mata-se um leão todos os dias, quando não, mais que um.
E eu querendo ir para o habitat natura dos leões. No meio do mato é que eu me encontro. Quando chega o cansaço e eu lembro que preciso da natureza para me refazer, de repente paro e me sinto um tanto assustada.
Quando foi que eu me tornei tão limitada?
Vejo um texto meu com tantas  contradições.
Entre sentimentos, pensamentos, emoções e esperança, no meio fala uma certa futilidade. Uma exigência de aparências e de preferências que eu sonho encontrar alguém, mas que se desmancham num minuto, só de pensar em um certo olhar...um sorriso.
     Quando foi que o amor se tornou calculável e descritível em simples palavras de um perfil? Quando foi que a mágica do sentir deu lugar aos números? Eu queria saber em que momento dessa caminhada eu me perdi...
     Porque pareço saber  exatamente o que eu quero, mas quando me ponho no lugar de outra pessoa...será que eu iria gostar de mim?
     E dirigindo entre essa selva de pedras eu percebo o quanto preciso desacelerar e reencontrar a minha essência.
     Em um lago urbano refletem-se as luzes dos carros e de  repente eu enxergo um foguete. Um sinal.       Gostaria mesmo é de viajar para fora do planeta qualquer dia. Sem hora marcada, nem destino esperando.
     Conhecer outras cores, outros  cheiros, outras formas.
     Às vezes consigo vê-los no reflexo dos alagamentos. Pelas  rodovias e estradas do dia a dia
     Às  vezes eu até  posso fingir não estar mais aqui...mas isso não resolveria um problema....nenhum deles...
     Sigo acelerada, tentando  desacelerar.
     Sigo encantada, tentando desencantar
     Sigo sozinha, tentando te encontrar.
     Sigo chovendo, inundando o meu olhar.

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