Saturday, January 17, 2015

ONDE ESTÁ O HUMANISMO?

Basta um mínimo de esforço e  observação para perceber que foi a primeira vez dessas pessoas no teatro.
O vislumbre, a novidade, os olhares curiosos e encantados. Acontece COM TODOS em algum momento da vida.
Como queremos que a cultura seja para todos se não soubermos ser civilizados o suficiente para receber as pessoas com suas diferenças de culturas e modos?
Sejamos humanos, compassivos e compreensivos para apreciar as coisas ao nosso modo sem criticar a maneira como o outro o faz.
Estudei música e na faculdade eu aprendi a incrível arte da concentração. Enquanto eu precisava estudar uma música, nas  salas ao lado estudavam um pianista, um violinista, um flautista e um cantor. Cada um em sua sala e com a sua música completamente diferente de ritmos e tonalidades.Eu consegui. Estudei durante 6 anos de curso e consegui.
 Levo isso para a vida. Não temos mais tanta saída se não soubermos nos colocar no nosso mundo interno em momentos que necessitem de maior concentração, independente do que o mundo externo está distribuindo. Eu posso estar no quintal de minha casa lendo e ao redor dela os carros passando, as televisões ligadas em volumes que excedem a privacidade, bares com pessoas conversando e ouvindo música alta. Nada disso importa se eu realmente estiver  focada e interessada em meu livro. A concentração vem de dentro e não de fora. Enquanto você não dominar essa concentração vinda de dentro e depender do externo, o seu momento será sempre frustrante.
Voltando ao teatro municipal de São Paulo, onde eu estava para assistir a ópera AÍDA, pessoas ao meu lado conversavam, mas em nenhum momento suas conversas atrapalharam a bela melodia da abertura, que invadiam meus ouvidos e meu ser. As conversas estavam mais para sussurros e observando bem eu percebi que era a primeira vez daquelas pessoas no teatro, pela maneira como olhavam e admiravam a sala. Como eu estava dizendo, as conversas em nada me atrapalhavam. Já os "XIUS" inconvenientes de algumas pessoas atrapalharam e muito, tirando a minha concentração para aquela melodia linda inicial.
Não precisa ser um grande mestre e entendedor de acústica para presumir que a força e volume que saiam daquelas "Advertências"  estavam mais propensas a chegar até os músicos no palco, do que as   conversas sussurradas dos novatos. Então eu pergunto. Quem dos dois atrapalhou mais e pode até ter causado uma desconcentração nos músicos com sua inconveniência?
E essas pessoas que estavam no teatro pela primeira vez, assistindo e vislumbrando um novo conceito de cultura para elas, voltarão? Elas sentirão que a cultura realmente está chegando até elas?
Vamos começar a nos colocar no lugar do próximo e ver que existem muito mais pessoas humildes querendo aprender e buscando algo novo, do que pessoas que se dizem entendidas que realmente tenham aprendido algo.
Em minha opinião particular, o humanismo e a arte de se sociabilizar  ainda conta muito mais do que  uma "educação refinada" que se desfaz e humilha o próximo. Alguém que se dispõe a ir ao teatro pela primeira vez para conhecer e se alimentar de música e de novidade, certamente está evoluindo mais do que muitos que estão acostumados a ir somente para se mostrar em uma posição privilegiada na sociedade.
E aos que vão ao teatro e se  sentam somente para  observar, se colocar em uma posição e não se permitem ser encharcados pela mágica e beleza que é a música eu digo, vocês  estão perdendo o recheio do bolo. Experimentem ir algum dia, esquecer do mundo à sua volta e mergulhar na música. Poderá ser uma experiência incrivelmente nova. Quem sabe você não toma gosto?   ;)

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