
Eu costumo pensar que música é uma vocação e não uma escolha. É um dom que está dentro de nós e quando menos esperamos já estamos inseridos nesse meio tão tumultuado, porém tão mágico que é o trabalhar com a música.
Eu não me lembro bem quando foi que eu decidi que trabalharia com música. Eu nem sei ao certo se houve um ponto chave em que eu realmente decidi isso. Pelo que eu me lembro ela sempre fez parte de mim. Com meus pais ouvindo o rádio, na casa de meus avós nos almoços de domingo onde eu chegava e encontrava meu avô ouvindo ópera, com meu pai dedilhando alguma canção no violão enquanto cantava a melodia, nas músicas clássicas ouvidas nos desenhos animados.
A música não salva, mas é fato que ela foi um instrumento importantíssimo de uma grande transformação minha.
Na época da escola eu sempre fui a criança escolhida para "cristo". Aquele velho e cruel bullying que tanto se comenta hoje e naquela época nem tinha esse nome, fazia parte de meus dias. O tempo passou e eu fui vencendo isso cada dia um pouco mais. Acabei por escolher uma profissão que me coloca na linha de frente de possíveis bullyings - nos palcos. Muito bem. Isso é um desafio constante, mas a sensação que tenho quando saio de um palco é incomparável. Não existe nada melhor.
Aliás, existe sim. Existe a mesma sensação, porém com meus alunos. Quando os vejo no palco, além do muito orgulho, é quase como se eu estivesse lá com eles. É simplesmente emocionante.
Quem escolhe música, além de escolher estudar o resto da vida tem que ter uma pitada de coragem a mais. Primeiro porque vai precisar ultrapassar barreiras todos os dias com os estudos e os resultados. Depois vem o fato de dar a cara a tapa e estar, muitas vezes sozinho, na frente de tantos outros que não tiveram a mesma coragem e, dos quais, serão os mais cruéis.
Risadas, 'zueiras' e tiração de sarro são as principais atitudes desses que ainda não amadureceram o suficiente para entender que essas atitudes podem derrubar um sonho.
E aí vem a minha pergunta a todos. Que tipo de pessoa você gostaria de ser?
Aquela que incentiva um sonho ou a que derruba ele?
Aquela que dá força ou a que enfraquece o seu próximo?
Você prefere ser uma pessoa querida ou uma pessoa indesejada?
E para responder à essas perguntas eu as recoloco de outra forma. Que tipo de pessoas você quer que cruzem os seus caminhos?
Você quer pessoas que incentivem seus sonhos ou derrubem eles?
Pessoas que te darão força ou te derrubarão?
Pessoas queridas ou pessoas indesejadas?
E depois de meditar nessas perguntas você pode responder as demais, pensando em ser para o próximo exatamente o tipo de pessoa que você quer em seu caminho.
Pare para pensar como você vai se sentir se alguém destruir seus sonhos e despertar seus maiores medos. Pense depois, se é isso que você quer criar para a vida de quem quer que seja. Mesmo um desconhecido.
Tome conta de suas atitudes. Seja amoroso e a vida te retornará amor. Seja encorajador e receberá muitos encorajamentos. Seja compreensivo e encontrará compreensão.
Seja cruel com o próximo e, não tenha dúvidas, a vida te retornará igualmente muita crueldade.
Vamos ser sábios e amadurecer antes que a vida nos obrigue a isso da forma mais difícil.
Estamos precisando de mais incentivadores e menos críticos.
Seja amor!
Texto escrito em homenagem a todos os meus alunos, amigos, artistas e pessoas que buscam um reconhecimento. Eu sempre vou defendê-los e de mim, sempre partirá incentivos. Sou fã de vocês.
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