Tuesday, November 04, 2014

Desapegando

    
     Tanta gente sempre falando de desapego e sabe-se bem que a prática leva à perfeição.
     Desapego de roupas, livros, joias e sapatos. Até  aí tá fácil. 
     Quero ver é o desapego de pessoas. Daqueles  queridos que invadem a sua vida e transbordam seus dias de companheirismo e felicidade. E aí, o que é que a gente faz com aquela velha saudade?
    Acredito que o desapego ande de mãos dadas com o amor, porque o amor entende, respeita e apoia. 
     Recentemente eu posso dizer que eu cheguei no nível de  desapego, onde o amor é muito maior do que qualquer  aperto no peito. Maior do que qualquer distância e em qualquer tempo.
     Tem sempre aquela pessoa querida que num certo dia entrou em sua vida e, quem sabe, foi até um grande  amor. Uma paixão dessas de virar a cabeça e te fazer enlouquecer e até querer  esquecer o que é amar. Aquele ser especial que te encheu de cores e te fez querer parar o tempo para ficarem juntos sempre. Seria a última pessoa em quem você acreditaria conseguir provar o tal desapego.
      Mas de repente, depois de tempos distante enquanto você realinha a sua estrutura que foi abalada por tamanha força de emoções e sentimentos, você reencontra esse  ser e vê que nada mudou. Vê que o amor aumentou e graças a Deus tudo está em seu  devido  lugar. Você percebe que  cada um está  aonde  deveria  estar. Você vê que o amor  é mais forte do que qualquer paixão e que esse amor sim, tem uma  estrutura que jamais vai destruir o seu coração. Percebe que mesmo distante sempre estiveram perto, sempre conectados com aquela velha  energia
      Então você se  depara com mais um desencontro. E este, agora é grande. Vai levar esse ser cheio de luz, para longe,  bem longe. Você tenta entender o que  está sentindo. 
     PAZ. Somente  paz. Nenhum  aperto, nem sofrimento, nem  medo. Só  uma  paz até meio  estranha para quem se  acostumou com tanta  turbulência.
       Um querer  bem e um sentir-se bem com a felicidade e crescimento do seu  próximo. Um saber que mesmo distante ele ainda estará tão mais perto do que tantas outras  pessoas ao seu redor.
      E isso me traduz hoje o que é o real desapego. 
     É eu me lembrar dessa pessoa tão querida, esse amigo-irmão, essa alma gêmea que parte em busca de sua verdadeira  vida. 
    Lembrar que ele está tão longe e não sentir nenhuma falta, nem  aperto, nem sofrer. Nenhuma vontade de  chorar e de querer trazer  para  perto.
       É.....deve ser  esse o tal verdadeiro desapego....você ser capaz de sentir  distante, porém sentir-se presente e não querer, por egoísmo, que as pessoas estejam ao seu lado só para satisfazer a sua vontade. É um ser feliz por ele, mesmo que distante, mesmo que demore para ter aquele  velho e reconfortante  abraço, aqueles  cafés e as deliciosas conversas de  fim de tarde. 
       É um amar sem ser preso pelo amor.
       Aprendendo um pouco a cada dia....sempre feliz com as  descobertas.  ;)

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